“Não somos seres humanos vivendo uma experiência espiritual, somos seres espirituais vivendo uma experiência humana.”
Será a partir desse referencial que abordaremos
questões da vida diária que nos intrigam e nos desafiam, convidando-nos a
reflexões mais profundas.
A primeira que nos salta aos olhos é a desatenção
que estamos vivendo. Basta parar um pouco e veremos acontecendo um fenômeno
cada vez mais comum – a ausência das pessoas presentes. São pessoas que
fisicamente estão ali, a nossa frente, mas cujo espírito, sua atenção e emoção
estão conectadas a outras situações ou pessoas. E isso já é tomado de forma
normal, dada à frequência com que acontece, ainda mais pela justificativa de
que a tecnologia é pra isso. Pode ser comum, mas será saudável?
Para Erich Fromm[2] o amor é
traduzido na prática por atenção, ou seja, onde está a nossa atenção aí está o
nosso amor. Assim, se nossa atenção está constantemente voltada para outro
espaço que não aquele em que meu corpo se encontra, estaremos vivendo um amor
virtual, protegido pela distância. Dessa forma, o aprendizado e a expressão de
nossa espiritualidade nas relações face à face fica comprometida. Nossas
relações vão se superficializando e morrendo, pois sua vida é dada por nossa
essência e ela está longe do aqui e agora. É como se estivéssemos com fome e
nos conectássemos pelo celular a um site que nos apresenta vários pratos
deliciosos, tentando saciá-la. Portanto, o convite que fazemos é o de estarmos
com nossa alma onde estamos fisicamente, exercitando o “olho no olho”, dando
atenção (nosso amor) àqueles que estão a nossa volta. Assim, estaremos vivendo
de forma plena nossas relações, amando e nos sentindo amados.
